De acordo com a "guru" (existe "gurua"?) Margarida Kunsch, antes de falar de comunicação organizacional, é necessário atentar para o contexto no qual tal organização está inserida. Segundo a autora, existe uma nova cidadania em construção, a "cidadania planetária", "preconizada pelos movimentos da sociedade civil global". O contexto atual permite "novas manifestações no espaço público, que ganham destaque na mídia", e "defendem interesses específicos, como agentes atuantes de uma sociedade civil mais organizada, e agem como sujeitos numa perspectiva global".
Tudo isso, exige das organizações novas posturas uma vez que os públicos, a opinião pública e a sociedade em geral estão mais ativos. Assim, a planejamento de comunicação e a atividade do profissional de relações públicas se torna essencial.
Um outro ponto que merece destaque é a situação atual no que diz respeito às novas tecnologias, pois "as organizações não mais ocupam lugares específicos e tendem a tornarem-se virtuais, porque é mais fácil e mais barato transportar a informação do que pessoas, através das tecnologias de teleprocessamento e da computação" (SROUR, 1998, p.27).
Além disso, com a Internet " a acessibilidade, para os stakeholders, às informações institucionais referentes a assuntos que afetem seus interesses" se tornou uma das principais ferramentas para a transparência das organizações, que passou a ser um imperativo na contemporaneidade.
Planejamento estratégico
O planejamento estratégico permite a análise ambiental externa, setorial ou de tarefa interna, gerando um diagnóstico organizacional, capaz de indicar as ameaças e as oportunidades, os pontos fracos e os pontos fortes, traçando um perfil da organização no contexto econômico, político e social.
Ora pois, pois, tal planejamento em muito se assemelha ao planejamento que nós publicitários estamos acostumados - ou deveríamos estar - a fazer (incluindo a ferramenta descrita no parágrafo anteriror: a análise SWOT).
Pra você que não entende muito bem a diferença entre o planejamento de comunicação elaborado por um relações públicas e um planejamento de comunicação desenvolvido por um publicitário, meus parabéns! Só fui conseguir perceber alguma diferença depois que eu soube o que faz um relações públicas. Assim, pontuarei algumas que eu consegui identificar:
1. O relações públicas administra a comunicação institucional, e orienta a comunicação interna e mercadológica para um discurso integrado.
2. O planejamento de comunicação, que nós publicitários, estamos habituados a fazer tem mais a ver com a comunicação mercadológica que tem origem dentro de um plano de marketing desenvolvido dentro dos critérios de imagem e identidade adotas pela empresa. E quem cuida disso? O relações públicas.
Sgundo Kunsch, "Os estrategistas de relações públicas assessoram os dirigentes, identificando problemas e oportunidades relacionados coma comunicação e imagem institucional da organização no ambiente social, avaliando como o comportamento dos públicos e da opinião pública pode afetar os negócios e a própria vida da organização". "As relações públicas trabalham com as questões que dizem respeito à visibilidade interna e externa, ou seja, à identidade corporativa das organizações".
Assim, podemos considerar que o planejamento de comunicação do relações públicas é mais estratégico, pois tenta integrar as comunicações existentes na empresa. O RP deve atuar "em conjunto com outras áreas da comunicação, numa capitalização sinérgica dos objetivos e esforços globais da organização". Os outros planos de comunicação são mais específicos e feitos levando em consideração boa parte das informações que um relações públicas passa - ou deveria - passar. Proponho que quando falarmos de planejamento de comunicação para publicidade, utilizemos o termo planejamento de campanha para não confundirmos com o planejamento de comunicação de RP.
"Para as relações públicas, exercer a função estratégica significa ajudar as organizações a se posicionarem perante a sociedade", demonstrando qual é a razão de ser do seu empreendimento, sua missão, seus valores, sua cultura, sua identidade e sua imagem.
Mas em que difere o Planejamento de RP do Planejamento de Marketing?
Ora, caros amigos, o planejamento de Marketing leva em conta outros fatores além da Comunicação, tais como: o produto, a praça e o preço. No entanto, "administrar estrategicamente a comunicação nas organizações com os diferentes públicos envolvidos (empregados, consumidores, imprensa, poderes públicos, investidores, fornecedores), por meio de um projeto global e com definição de políticas, é tarefa da área de relações públicas em parceria com a área de marketing. A realização dessa incumbência só é possível com o planejamento, que resultará em instrumentos materiais tangíveis na forma de projetos, planos e programas de ação".
O planejamento de relações públicas
O planejamento de relações públicas deve ser abrangente e pro-ativo. " Como parte integrante da gestão estratégica, as relações públicas deverão auxiliar a alta direção a fazer a leitura de cenários e das ameaças e das oportunidades presentes na dinâmica do ambiente global, avaliando a cultura organizacional, e pensar estrategicamente as ações comunicativas. Essas ações deverão atingir principalmente aqueles públicos estratégicos (stakeholders) que transcendem o âmbito local, atingindo mesmo dimensões interculturais com organizações de outros países, face à realidade da sociedade global".
"Em relações públicas, desenvolvemos basicamente dois tipos de planejamento. O primeiro é o de elaboração de todo um projeto global ou um plano estratégico de comunicação para determinada organização. O segundo é voltado para o planejamento e a produção de projetos e programas específicos, como eventos especiais, publicações institucionais impressas, ações com a comunidade, comunicações de crises, projetos sociais e culturais, comunicação interna, mídias digitais etc.
A Comunicação Excelente
Três esferas ou núcleos de excelência da comunicação (KUNSCH):
• O núcleo de conhecimento, que lida com as capacidades da administração estratégica e trata dos dois modelos de mão dupla de relações públicas – o da comunicação assimétrica (baseada na persuasão) e o da comunicação simétrica (baseada no entendimento). Vale-se, portanto, de bases científicas e enfatiza o papel do administrador da comunicação e não de um técnico.
• O núcleo intermediário, que se refere às expectativas compartilhadas no que diz respeito às interações do departamento de comunicação/relações públicas com os demais participantes do poder na organização. Isto é, em organizações excelentes, a alta administração tanto aprecia o papel da comunicação como se apóia nos insumos da administração sênior (CEO) de comunicação. A alta administração compreende que os processos de comunicação estratégica são importantes para os resultados globais da organização.
• O núcleo de cultura participativa ou cultura corporativa, por fim, se baseia no trabalho em equipe e na participação dos seus integrantes nas tomadas de decisões. Ou seja a cultura corporativa da organização, em oposição a uma cultura organizacional autoritária, favorece uma comunicação excelente. Esta tem como característica a descentralização.
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